quarta-feira, 19 de novembro de 2008

The Jills - Entrevista


Passado algum tempo a seguir The Jills, a banda concedeu-me uma entrevista. Infelizmente tem de ser em "formato Word" porque ainda não tenho hipótese de me deslocar aos sítios pessoalmente.Espero que gostem.
A banda é formada por: Phil Star,(ex- Babes in Babyland e The Noir Sexy Babes) na guitarra,Peter Les,(ex- Boys2Men e The Noir Sexy Babes) no baixo,MrBike,(ex- Mudas, Sold Mind, 2Kill, The Noir Sexy Babes) na voz e na guitarra e Leroy Jones,( Babes in Babyland, The Noir Sexy Babes, The Pessimists, The Guardian e The Laurence Sternes) na bateria.

Punk Psicadélico:Como surgiu o nome The Jills?
The Jills:Há coisas que não devem ser confessadas em público. O momento e as circunstâncias em que o nome surgiu é melhor ficarem entre nós.

P.P:Como e quando surgiram como banda?
T.J:Os The Jills surgiram em 2004, a partir de um projecto anterior, com o qual não estávamos suficientemente satisfeitos. Queríamos construir um som mais directo, mais despreocupado e que chegasse mais facilmente às pessoas, sem grandes rodeios. Música que pudéssemos transpor para os palcos com a mesma energia e qualidade de um excelente cd.

P.P:Quem são os antepassados do Death Lollipop Punk Rock n’Roll?
T.J:Os antepassados desse novo género musical somos nós mesmos e Jesus.

P.P:Como é o nascimento de uma música dos Jills?
T.J:Cada caso é um caso. Há temas que surgem de uma simples experiência num ensaio e há outros cujo nascimento é mais complexo e tortuoso. Normalmente a música surge primeiro e as letras depois. Os arranjos vão sendo trabalhados ensaio após ensaio. Puro génio criativo, resumindo.

P.P:Vi a vossa versão do 1969 dos Stooges,com o Guilherme Lucas dos Cães Vadios na guitarra, que, pessoalmente, achei espantosa. O Iggy é uma grande influência nos Jills? E já agora, o Ron Jeremy representa um papel importante na vida da banda? É que o tema soa a tributo.
T.J:Somos grandes fãs do Guilherme desde o tempo dos Cães Vadios. Ele é um espectador assíduo dos nossos espectáculos e a participação no “1969” surgiu de um convite que lhe fizemos numa dessas ocasiões. Foi uma grande honra para nós. Depois desse ensaio, tocámos juntos essa versão num concerto memorável no Porto-Rio.
O Iggy Pop é uma influência para grande parte das bandas de rock’n' roll e nós não somos excepção. Não temos um som parecido, mas partilhamos a mesma postura perante a música.
E, sim, o nosso tema “Ron Jeremy“ é um tributo ao lendário actor norte-americano. Somos profundos conhecedores e admiradores do seu trabalho. Apreciamos sobretudo o facto da sua imagem não corresponder exactamente aos padrões de beleza habituais no cinema porno. O Ron Jeremy é um tipo peludo, atarracado e feio. Uma espécie de actor punk do cinema porno. Nós identificamo-nos com isso. Infelizmente, e falando estritamente do seu instrumento de trabalho, a natureza não foi tão generosa connosco.

P.P:Tendo lançado já 2 Eps, o “One take only”, de 2005, e o “Madonna is our mother”, de 2007, e estando outro a caminho, quais são as perspectivas da banda?
T.J:Pensam editar um álbum?A nossa perspectiva é sempre a mesma: tirar o maior prazer do trabalho que fazemos. Obviamente, uma parte essencial da nossa realização enquanto artistas é sentir que chegamos às pessoas e que o nosso trabalho é apreciado. Claro que apostando em edições de autor, a capacidade de chegarmos ao grande público não é a mesma das bandas que editam com o apoio de grandes etiquetas e que estão integradas na chamada “indústria”. Mas a verdade é que não estamos preocupados com isso. O mercado está a mudar radicalmente e o meio underground é vasto e muito estimulante. Muita coisa passa por aí e vai passar cada vez mais. Isto não significa que se surgisse uma oportunidade institucional a não aproveitássemos. Até porque, tal como como o Iggy Pop, também gostamos de dinheiro.

P.P:Qual a razão que vos leva a não cantar em português?
T.J:Para contrariar o Sam The Kid.
Agora mais a sério. Estamos a planear compor temas em português. Já o fizemos em temas como o “So Young” e o “Trash City”. Mas não nos sentimos obrigados a cantar em português só porque estamos em Portugal. Não nos consideramos menos portugueses por recorrermos a outras línguas. A nossa regra é usar a língua que funcionar melhor em cada caso. Temos, por exemplo, um tema em francês, o “La Petite Putain de Paris”, porque funciona bem assim.

P.P:Irrita-vos o facto de haver músicos em Portugal que condenam o facto de algumas bandas não cantarem em português? Ou acham simplesmente que são pessoas distraídas, visto 70% ou mais das bandas por esse mundo fora não cantarem na língua mãe?
T.J:A questão da língua é uma questão recorrente. Do nosso ponto de vista, os artistas dignificam mais a cultura portuguesa através do seu trabalho, profissionalismo, e respeito pelas outras culturas, do que simplesmente por usarem o português nas suas criações. Há artistas que usam o português como argumento comercial em detrimento de outros que recorrem a outras línguas. Mas a verdade é que o facto de usar o português, só por si, não confere mais qualidade ao trabalho de um artista.

P.P:O que acham da ideia que algumas pessoas têm, que não é preciso pagar ás bandas menos conhecidas, porque só o divertimento de tocar ao vivo já é suficiente? Acham que nestes casos, as bandas têm que deixar de tocar, ou tocam e deixam de comer?
T.J:É uma questão interessante. Por regra, os espectáculos dos The Jills envolvem um cachet. E a razão é muito simples, ou melhor são duas: primeiro, os nossos espectáculos são o resultado de um longo trabalho e de um forte investimento pessoal; e, segundo, têm a mesma qualidade que nós próprios exigiríamos de qualquer outra banda, incluindo bandas profissionais. Por isso, é um trabalho que tem um custo e deve ser pago.
Na estrada, cruzámo-nos com muitas bandas e músicos dispostos a tudo e sem impor quaisquer condições. Trata-se de uma prática que contribui para o facilitismo e o amadorismo por parte de quem gere bares ou salas de espectáculos. Não contem connosco para isso. E esse é justamente o motivo pelo qual damos poucos concertos em comparação com outras bandas.

P.P:O que acham dos media portugueses em termos de música portuguesa? Concordam comigo quando digo que são completamente incompetentes e vendidos ás editoras majors?
T.J:Na globalidade, concordamos. Uma parte importante do público limita-se a seguir ordeiramente as “orientações” (as aspas são para não irmos mais longe) da crítica institucional (jornais, rádio e televisão). Não é fácil resistir a uma campanha de marketing bem montada. Mas também é preciso reconhecer que, graças à internet, esta realidade está a mudar rapidamente. Hoje podes consumir a “tua” música, fazer as “tuas” escolhas, sem precisares de recorrer aos gurus da crítica musical.

P.P:O Blitz, por exemplo, é um jornal que quase não faz promoção de bandas portuguesas novas... a única promoção do género, é feita no fórum do Blitz, por leitores que não estão no mapa de vencimentos da dita revista. O que acham disto?
T.J:Não compramos, nem lemos o Blitz. Preferimos ler a Golf Magazine. E se o conteúdo é aquele que descreves, temos poupado bom dinheiro. Em compensação, já visitámos o fórum do Blitz, onde fomos referenciados por diversas vezes, e é um espaço interessante.

P.P:As televisões e as rádios, pelo menos as de relevância nacional, não têm um único programa a promover novas bandas de garagem. O que acham que se podia fazer para melhorar isto? quem acham que teria de ser pressionado?
T.J:No passado, existiram alguns programas de televisão exclusiva ou maioritariamente dedicados à música moderna portuguesa. Neste momento, há um programa do J. P. Simões, que é emitido na RTP2. Mas, estamos de acordo, o investimento televisivo na música portuguesa é praticamente inexistente. O panorama é parecido nas rádios nacionais.
Mas se passarmos para o universo das rádios locais, tudo muda.

P.P:A internet pode ser um veículo melhor para divulgação de bandas do que as editoras? Viu-se o exemplo dos Radiohead, que disponibilizaram o último álbum na net e mesmo assim tiveram records brutais de vendas nas lojas. O que acham?
T.J:A internet é o nosso espaço natural. A internet, a sala de ensaios e o palco. Temos uma página no myspace (http://www.myspace.com/thejills999) e um blogue (http://thejills.blogspot.com/) actualizados diariamente. Além disso, comunicamos regularmente com o nosso público através de um mail que funciona como uma e-newsletter. Graças a este trabalho temos conseguido reunir um número crescente de pessoas nos nossos concertos. Isto vem ao encontro do que dissemos anteriormente. Hoje é possível divulgares o teu trabalho de uma forma eficaz sem precisares dos meios tradicionais. Claro que a internet não resolve nada se o teu produto não for suficientemente bom.

P.P:O que diriam se algum lunático se lembrasse de organizar um festival (não um concurso), exclusivamente para bandas de garagem com qualidade, sem fins lucrativos? impossível de todo? Ou acham que vale a pena tentar?
T.J:É uma ideia original. Um estádio cheio de pessoas para ouvir bandas de garagem. Uma ideia tão original que era capaz de pôr os meios tradicionais e a própria ”indústria” a salivar de interesse. Não digas a ninguém.

P.P:No futuro pensam vender algum dos vossos temas para um anúncio de telemóveis e ficar ricos?
T.J:Sim. E de bancos, automóveis ou cervejas. Claro que preferíamos vender os direitos de uma música para um anúncio de preservativos, acessórios sexuais ou bordéis. Mas nem tudo é perfeito. Era a nossa pequena vingança contra a “indústria”. Antes de aceitarmos, teriam que pedir muito.

The Jills usam:
Phil star: guitarra hofner, guitarra ibanez, amp peavey, pedal crybaby.
Peter Les: baixo Epiphone Thunderburst, Telégrafo.
MrBike: Guitarra Fender Telecaster, amp. Marshall.
Leroy: Bateria Premier e outras.

http://www.myspace.com/thejills999

http://thejills.blogspot.com/

3 comentários:

Júlio Peres disse...

Oublá na vanguarda da divulgação de bandas nacionais. Obrigado por mais esta excelente dica!

René Alan disse...

Hehe, fiquei com vontade de comprar a Golf Magazine!

RoadMaster disse...

Rock On, my friends!!!